terça-feira, 18 de setembro de 2012

Agualva e São Pedro também dizem não à “extinção” das freguesias

As assembleias de freguesia de Agualva e de S. Pedro de Penaferrim aprovaram ontem à noite pareceres contra "a extinção por agregação", aumentando o rol de freguesias que rejeitam o actual modelo de reforma administrativa. Em Agualva, o parecer foi aprovado com 12 votos a favor (PS, CDU e BE) e 4 abstenções (PSD e CDS-PP), e em S. Pedro de Penaferrim (nas fotos) o parecer contou com 6 votos a favor (PS e CDU) e 6 abstenções (PSD, CDS-PP e BE).



Em São Pedro, o documento foi defendido pela líder da bancada socialista, que alertou que “há uma intenção de extinguir a freguesia por agregação com as outras duas freguesias do centro histórico, o que representaria um problema gravíssimo”. “Não podemos perder a identidade da freguesia a que pertencemos, porque se a Lei for para a frente, corremos o risco de passar a ser a 'Freguesia de Todos os Santos', ou a União das Freguesias de Sintra”, disse Margarida Paulos.

A autarca lamentou que a Câmara ainda não tenha ouvido a população, nem explicado o que acontecerá no caso da agregação, mas saudou a postura dos eleitos locais, “que souberam despir a camisola partidária em defesa das populações”. “Pudemos sempre contar com o apoio inequívoco do presidente da junta, Fernando Cunha, que de forma corajosa foi o único presidente da Coligação Mais Sintra (PSD/CDS-PP) que se manifestou e votou contrariamente à sua bancada em Assembleia Municipal”, lembrou Margarida Paulos, que foi aplaudida pelas cerca de duas dezenas de fregueses presentes.



Coligação Mais Sintra aguarda por “uma proposta concreta”

Do lado da bancada da Coligação Mais Sintra, o social-democrata Pedro Martins admitiu concordar com grande parte da intervenção da autarca socialista, mas considerou não ter todos os elementos para tomar uma posição definitiva, optando pela abstenção. “Não há nada decidido de concreto, pelo que não podemos basear uma opinião numa coisa que não sabemos”.

O autarca defendeu também que “não se falou em extinção, mas em associar, juntar ou reunir, pelo que a identidade da freguesia não está em risco quer em termos históricos ou sócio-culturais”, e que, “ganhando mais área, ganhará meios mais apropriados às necessidades, o que não é obrigatoriamente negativo”. Em resposta, Margarida Paulos lembrou que a lei estipula que até dia 15 de Outubro o município tem de apresentar um novo mapa com menos freguesias, pelo que é importante que as assembleias de freguesias expressem uma posição.

Fernando Cunha rejeita agregação das três freguesias de Sintra

Do lado do executivo, o presidente Fernando Cunha mostrou-se satisfeito com a aprovação do parecer. “Lutei, luto e lutarei pela não extinção das freguesias, porque considero que o concelho está bem dividido”, disse o autarca, que contesta a hipótese de fusão das três freguesias do centro histórico de Sintra. “Não posso conceber que haja uma agregação e que fiquemos com cerca de 80 km2, do Barrunchal a Janas, se for avante a ideia da ‘Freguesia de Todos os Santos’. As coisas não devem ser feitas a régua e esquadro. Se fosse apenas passar o Barrunchal para Cascais, já concordava, porque isso tem lógica.”

O social-democrata lamenta não ter ainda recebido qualquer proposta da Câmara. “Até hoje nunca fui auscultado para nada, mas isto já devia estar na rua há bastante tempo para ser discutido. Não é normal, porque andamos todos à nora. E não me falem em Troika, porque isso já eu tive aqui desde 2005, quando encontrei uma freguesia cheia de dívidas, e resolvi o assunto. Se Sintra andou tantos anos a reorganizar-se, não será uma Troika que nos vem ensinar como se faz”, defende o autarca, que assegura que irá respeitar a decisão da freguesia em qualquer votação na Assembleia Municipal.

© Luís Galrão/Tudo sobre Sintra

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