quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Castelo dos Mouros com obras de requalificação global e novas descobertas arqueológicas



A Parques de Sintra (PSML) está a desenvolver um projecto de valorização global e restauro do Castelo dos Mouros, um dos mais importantes monumentos e polo turístico de Sintra, com 265 mil visitas em 2011. O projecto “À Conquista do Castelo”, cofinanciado pelo PIT (Programa de Intervenção do Turismo), inclui o restauro das muralhas, dos caminhos, da Igreja, da Cisterna e da envolvente paisagística, bem como a instalação de diversas infraestruturas para melhor acolher os visitantes.

O projecto foi antecedido e acompanhado pela realização de escavações arqueológicas nos locais a intervir. As campanhas têm sido realizadas em parceria com a Universidade Nova de Lisboa, desde 2009, e apresentaram resultados tão surpreendentes e significativos que acabaram por condicionar o projecto da obra. São agora conhecidos os resultados a divulgar num seminário e a publicar no final do projecto.

As investigações arqueológicas pretenderam fundamentar as intervenções de recuperação e aprofundar a informação histórica sobre o local mas, a descoberta de elementos como mais de três dezenas de sepulturas medievais cristãs (com cerca de 2 a 3 enterramentos em cada), vários alicerces de habitações muçulmanas e objectos do Neolítico (por exemplo, um vaso cerâmico completo do 5º milénio a.C), conduziu à reconfiguração do projecto para permitir mostrar ao público os principais achados.

Projecto de valorização: “À Conquista do Castelo!”

O extenso projecto de recuperação e beneficiação do Castelo dos Mouros envolve um investimento de mais de 3,2 milhões de Euros, dos quais cerca de 600 mil Euros são financiados pelo PIT. Os trabalhos envolveram o restauro das muralhas; a reabilitação da Igreja para Centro de Interpretação da História do Castelo; a criação de um polo de recepção de visitantes nas escavações arqueológicas; a adaptação da cisterna para acolher visitantes; a recuperação de acessos e caminhos pedestres; a substituição da iluminação cénica das muralhas; a adaptação da antiga habitação dos guardas florestais a cafetaria e instalações sanitárias; a instalação de infraestruturas modernas de água, esgotos, energia e comunicações; o restabelecimento das vistas do Castelo para a Vila de Sintra; e a redução das barreiras físicas à mobilidade, permitindo a cidadão com mobilidade reduzida chegar a pelo menos algumas das vistas que o Castelo oferece.

Investigações e descobertas arqueológicas

Para fundamentar as intervenções projectadas no Castelo, melhor conhecer as ocupações humanas do local e as suas fases construtivas, a Parques de Sintra, tem promovido desde 2009, em colaboração com os alunos da licenciatura em Arqueologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a realização de Campos de Investigação Arqueológica.
Estas investigações, totalizaram até ao momento, um investimento de cerca de 154 mil Euros, financiados a 100% pela Parques de Sintra (cujo orçamento de gestão tem por base apenas as receitas de bilheteira, lojas/cafetarias e aluguer de espaços).

As campanhas arqueológicas já realizadas incidiram, principalmente, em duas áreas: a necrópole (situada entre as ruínas da Igreja e a muralha nascente) e o interior do Castelo (antigas cavalariças). Na necrópole, a identificação de 33 sepulturas de rito cristão, cada uma com cerca de 2 a 3 enterramentos, traduz a elevada densidade de povoamento do local e, por outro lado, a longa diacronia do uso do espaço, desde meados do século XII até meados do século XVI.

Com estes trabalhos e com os realizados no interior da fortificação, foi possível determinar a área de implantação do bairro islâmico do Castelo, tendo-se identificado alicerces de habitações associadas a numerosos silos escavados no substrato rochoso, sobre as quais foi edificada a muralha medieval, fazendo supor uma ocupação muçulmana de cariz rural, bastante extensa. Estes dados alteraram a cronologia dos panos de muralha que eram, até ao momento, considerados de fundação muçulmana. Foram ainda identificados níveis arqueológicos do Neolítico, tendo sido recolhido um vaso cerâmico de asas bífidas, inteiro, típico das produções oleiras do 5º milénio a.C. [Fonte: PSML]

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