sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Governo identifica em Sintra 29 edifícios que podem ter amianto, a maioria escolas


A EB 2,3 Dr. Rui Grácio, em Montelavar, é um dos locais com telhas de fibrocimento. Foto © Luís Galrão/Tudo sobre Sintra

Sintra tem 29 dos mais de dois mil edifícios públicos identificados pelo Governo como podendo conter amianto na construção e a maioria são escolas. O levantamento nacional abrangeu 12944 edifícios, instalações e equipamentos da administração pública central directa e indirecta, e incluiu escolas, esquadras, equipamentos de saúde e dependências de vários ministérios, dos quais 2015 (16%) podem conter esta substância cancerígena [ver documento].

Na lista de “edifícios com materiais presuntivamente contendo amianto”, divulgada no início do mês, estão 23 escolas do concelho, bem como o Subdestacamento Territorial de Sintra da GNR, a Esquadra de Queluz da PSP, o Quartel de Queluz do Exército, o Campo de Tiro da Serra da Carregueira, o Estabelecimento Prisional de Sintra e a Quinta dos Plátanos, onde funciona o serviço local da Segurança Social.

As escolas onde é provável que exista amianto em coberturas de fibrocimento, ou noutros materiais de construção, são as secundárias Leal da Câmara, de Mem Martins, Matias Aires, Miguel Torga, Stuart Carvalhais, Gama Barros e Ferreira Dias, bem como mais 16 escolas básicas de segundo e terceiro ciclos (EB 2,3), incluindo a EB 2,3 Dr. Rui Grácio, em Montelavar, onde a associação de pais tem denunciado o problema nos últimos anos.

Em cerca de dois terços dos 94 edifícios analisados em Sintra (65) não foram detectados materiais contendo esta substância perigosa para a saúde. Incluem-se nesta lista todos os edifícios dos ministérios da justiça, saúde e finanças, bem como a maioria dos postos da GNR e esquadras da PSP. Neste grupo estão também seis escolas: as secundárias Padre Alberto Neto e de Santa Maria, e as EB2,3 Visconde de Juromenha, Escultor Francisco dos Santos, D. Fernando II e de Colares.

A próxima fase, explica o documento, passa pela análise dos dados recolhidos para determinar quais os edifícios “que deverão ser apenas sujeitos a acções regulares de monitorização e os que deverão ser submetidos a novas análises para confirmar as informações já recolhidas ou determinar a necessidade de realizar eventuais acções correctivas.” Não é, no entanto, avançado qualquer prazo.

De fora deste levantamento ficaram edifícios e equipamentos da administração local. No caso de Sintra, o município anunciou em Março ter encomendado ao Instituto de Soldadura e Qualidade uma “inspecção das coberturas de fibrocimento [a três dezenas] de edifícios escolares”, mas a adjudicação, no valor de 16 mil euros, só teve lugar no final de Maio, razão pela qual ainda não foram divulgados resultados.

Perigo está na inalação de fibras libertadas de materiais degradados

O amianto, também conhecido por asbesto, foi utilizado durante décadas na construção civil, não apenas nas telhas de fibrocimento (material que pode conter 10 a 20% amianto), mas também em revestimentos ignífugos, térmicos e acústicos, entre outros, mas está proibido em Portugal desde 2005. As autoridades de saúde explicam que o perigo para a saúde decorre sobretudo da inalação das fibras libertadas para o ar, uma situação detectada em apenas 2% das mais de mil amostras estudadas na última década.

Recentemente, o Departamento de Saúde Pública da Administração Regional de Saúde do Centro disponibilizou a documentação divulgada no seminário “Prevenção de riscos de exposição a materiais contendo amianto”, realizado em Julho, onde pode ler-se que “a presença de amianto num edifício não constitui, por si só, um risco para a saúde.” O perigo, esclarecem os especialistas, está associado à danificação de materiais que o contêm, pelo potencial de libertação de fibras. “Depois de inaladas, as fibras alojam-se nos pulmões onde podem permanecer durante décadas e causar danos irreversíveis”, embora as consequências possam surgir apenas entre 10 a 60 anos após o contacto.

No entanto, os peritos defendem que é fundamental avaliar as condições do material antes de tomar outras medidas. “Se estiver em boas condições, o melhor é mantê-lo, evitando tocar-lhe. Em caso de suspeita, só com medições feitas com equipamento adequado e por técnicos especializados é que é possível a determinação das fibras e da sua concentração”, lê-se num dos documentos disponibilizados.

© Luís Galrão/Tudo sobre Sintra

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