quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

CDU alerta que a "Cidade da Sonae" vai "criar um monstro" e entupir acessos ao IC19

A CDU está contra a proposta de Plano de Pormenor da Abrunheira Norte (PPAN), actualmente em consulta pública, por considerar que vai prejudicar os moradores, o comércio local, o trânsito e a paisagem. “Trata-se da criação de um monstro com uma volumetria muito grande no sopé da serra de Sintra e de uma 'cidade' ligada a um grande grupo económico, que terá muito perto outra grande área comercial além das que já estão edificadas”, afirma Paula Borges, da coordenadora concelhia.

No entender da CDU, a nova área comercial projectada para o terreno de cerca de 70 hectares junto ao nó da A16 com o início do IC19, “irá provocar danos, provavelmente irreversíveis, para quem ali vive e no IC19, uma via já saturada”. “Irá muito provavelmente deixar a população barricada sem conseguir ter acesso à sua área de residência, como já acontece junto a outras áreas comerciais”, alerta.

Na posição entregue há dias no Gabinete de Apoio ao Munícipe, no âmbito da consulta pública, a CDU considera ainda que o PPAN é “um gritante exemplo da pesada densificação do tecido urbano do concelho, numa área de aproximação a Sintra Património Mundial, que até à aprovação do Plano Director Municipal (PDM) era considerada de protecção e enquadramento, ou seja de solo não urbano” e que foi depois colocada na categoria de desenvolvimento turístico.

O PPAN, apelidado pelo presidente da câmara de 'Cidade da Sonae', prevê a construção de cerca de 82 mil metros quadrados de edifícios destinados a comércio e serviços, uma intenção que a CDU diz ser dificilmente compatível com o “melhor enquadramento paisagístico da aproximação à serra de Sintra” previsto no documento. “Só a grande área comercial prevista 'oferece' em linha paralela ao sopé da serra, uma fachada com trezentos metros de comprimento e nove metros de cércea”, alertam os comunistas.

Um dos objectivos contestados pela CDU é a alegada requalificação de uma área urbana de génese ilegal (AUGI). “A AUGI do bairro de Colónia e Sesmarias está legalizada, nos termos do artigo 89º do PDM, está infraestruturada e, inclusive, dispõe de equipamento desportivo e espaço verde”, diz a CDU, que aponta que “a inclusão do bairro na área do plano apenas contribui para atenuar as elevadas densidades construtivas das áreas comerciais e logísticas.”

Entre outros aspectos, a CDU lamenta ainda a “inexistência de cedências de solo para a construção de equipamentos públicos essenciais” à população da Abrunheira e alerta que a nova área comercial irá contribuir para o “processo de definhamento e encerramento do pequeno comércio”, diz Paula Borges, que apela à participação pública dos munícipes. A proposta da autarquia será hoje apresentada numa sessão pública de esclarecimento que terá lugar pelas 20h, na Escola Básica da Abrunheira (Rua Carlos Paião, nº 12). [ver posição da CDU] [notícia no Notícias ao Minuto]

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