quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Concluída a recuperação das fachadas, cantarias e azulejos do Palácio da Pena


© PSML/Wilson Pereira

A Parques de Sintra - Monte da Lua (PSML) anunciou a conclusão da recuperação das fachadas do Palácio Nacional da Pena, num investimento de cerca de 300 mil euros realizado ao longo de dois anos para desenvolvimento dos projectos e de oito meses para a realização das obras, que terminaram em Janeiro. A recuperação integral dos revestimentos exteriores do Palácio envolveu fachadas caiadas, elementos de cantaria e revestimentos azulejares.

"O projecto foi estruturado e desenvolvido tendo em conta questões de conservação bem como razões estéticas e envolveu a equipa técnica da Parques de Sintra, com o apoio e acompanhamento de técnicos da Direcção Geral do Património Cultural (DGPC), do Laboratório José de Figueiredo (análise de materiais) e do Museu Nacional do Azulejo. A sua implementação decorreu em várias fases, acompanhando outras intervenções no Palácio.

A equipa multidisciplinar da Parques de Sintra desenvolveu, coordenou e fiscalizou todas as fases, integrando os resultados da investigação com os estudos encomendados para as diversas especialidades. Os trabalhos seguiram a política “aberto para obras” de intervenções anteriores, fomentando o interesse dos visitantes para as técnicas associadas à conservação e restauro do património.

O trabalho realizado nas superfícies caiadas (cerca de 10 mil m2) consistiu na estabilização dos revestimentos, através da consolidação de rebocos, substituição de zonas degradadas, preparação das superfícies e execução de novas caiações em cores baseadas em amostras históricas guardadas no arquivo do Palácio. A topografia e as condições climatéricas tornaram estas tarefas particularmente difíceis, tanto pela montagem de estruturas de andaime em declives quase impossíveis, como pela dificuldade de trabalhar sob ventos fortes. Assim, em complemento às estruturas de andaime tradicionais, uma parte dos trabalhos foi realizada por pintores alpinistas com formação adequada, o que permitiu garantir a segurança, mantendo a qualidade que se exigia.

A aplicação de cor nesta intervenção seguiu as opções tomadas nos anos 90, aquando da última campanha de obras. Uniformizou-se, no entanto, o esquema de acabamento final das superfícies, que se verificou o mais adequado e compatível com a estrutura existente: pintura a cal. Foi também revista a impermeabilização dos terraços da Rainha, da Sala de Jantar e da Cafetaria (cerca de 645 m2), com substituição dos isolamentos, e também dos revestimentos por tijoleiras mais próximas das que terão sido as originais.


© PSML/Wilson Pereira

Nos elementos de cantaria aplicada, os trabalhos implicaram a intervenção em cerca de 800 m2. Apesar da maior resistência material, necessitaram de limpeza geral e específica, de eliminação de colonizações biológicas, e ainda de estabilização de juntas de assentamento e decorativas. Além de microrganismos, estes revestimentos tinham já plantas que, na falta de erradicação, poderiam vir a degradar irremediavelmente as estruturas de pedra.

Foram ainda repostos elementos significativos que se encontravam em falta, assim como aplicada uma camada hidrofugante (substância que repele a água) para permitir uma maior longevidade da protecção. Também aqui, tanto pela dificuldade de montagem de estruturas de andaime como pela necessidade de perturbar o menos possível o percurso dos visitantes, a PSML recorreu a conservadores-restauradores com formação em trabalhos em altura, evitando a intrusão que sempre ocorre aquando da montagem de andaimes em zonas com muita circulação de pessoas.

Os revestimentos azulejares (numa área de cerca de 450 m2) apresentavam problemas estruturais: de ligação ao suporte de alvenaria e no corpo cerâmico, debilitado na chacota (parte de trás do azulejo) e na superfície vidrada. O risco de destacamento obrigou à aplicação prévia de películas temporárias de protecção em áreas significativas, ainda durante a fase de projecto, permitindo depois o levantamento dos azulejos, sem perdas de elementos.

Catalogados, etiquetados e tratados, os azulejos foram posteriormente reaplicados após correcta estabilização do suporte, fator decisivo no reassentamento. Após a remoção de colonização biológica e de depósitos calcários, as falhas de vidrado foram preenchidas e retocadas com materiais adequados. As argamassas das juntas, essenciais para absorver as tensões a que a construção está naturalmente sujeita, foram substituídas quando apresentavam mau estado.

Em casos mais complexos, executaram-se réplicas de azulejos, garantindo a correta estanquicidade do revestimento e consequente protecção do edifício. O processo de escolha e produção das réplicas foi também muito rigoroso, no sentido de garantir a melhor adequação possível do resultado final aos objectivos da intervenção." [Fonte: PSML] [notícia no Diário Digital e no Publituris]

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